INSTABILIDADE NORMATIVA E QUALIDADE DA EDUCAÇÃO: REFORMAS CURRICULARES, TRABALHO DOCENTE E OS IMPACTOS DAS MUDANÇAS RECORRENTES NO SISTEMA EDUCACIONAL BRASILEIRO
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n4-145Palavras-chave:
Reformas Educacionais, Currículo, Ensino Médio, Trabalho Docente, Qualidade da EducaçãoResumo
O presente artigo examina os impactos das mudanças frequentes e recorrentes no sistema educacional brasileiro sobre a qualidade da formação escolar, o trabalho docente e a trajetória formativa dos estudantes. Partindo de uma abordagem teórico-analítica, o texto problematiza como sucessivas reformas curriculares, especialmente àqueles incidentes sobre o ensino médio, têm produzido instabilidade pedagógica, sobrecarga institucional e fragilização das condições de ensino e aprendizagem. A análise articula categorias provenientes das políticas educacionais, da teoria do currículo, da sociologia da educação e dos estudos sobre o trabalho docente, estabelecendo diálogo com autores clássicos e contemporâneos do campo. O artigo sustenta que reformas formuladas verticalmente, sem escuta efetiva dos atores escolares, sem correspondência com as condições reais de infraestrutura e sem horizonte de estabilidade institucional tendem a comprometer a continuidade formativa e a ampliar desigualdades educacionais. Argumenta-se que mudanças educacionais substantivas exigem tempo, planejamento pedagógico consistente, valorização profissional dos docentes e compromisso político com uma qualidade de educação socialmente referenciada. O texto conclui apontando a necessidade de políticas de Estado que superem o ciclo de reformas aceleradas e instaurem condições concretas para uma educação pública de qualidade.
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