USO DO CATETER CENTRAL DE INSERÇÃO PERIFÉRICA (PICC) EM UMA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA EM UM HOSPITAL MATERNO-INFANTIL SUL BRASILEIRO
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n3-205Palavras-chave:
Cateterismo Periférico, Recém-Nascido, Unidades de Terapia Intensiva Neonatal, Segurança do Paciente, Enfermagem NeonatalResumo
Considerando a acentuada vulnerabilidade biológica de neonatos criticamente enfermos, o estabelecimento de acessos venosos seguros foi determinante para o sucesso terapêutico e a mitigação de danos. O Cateter Central de Inserção Periférica (PICC) destacou-se como tecnologia essencial nesse cenário, embora sua eficácia dependesse de rigorosos protocolos de manutenção e vigilância. Objetivou-se analisar o perfil de utilização e as variáveis clínicas relacionadas ao PICC em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) do Sul do Brasil. Para tanto, procedeu-se a um estudo transversal, retrospectivo e censitário, analisando 154 prontuários de neonatos assistidos em 2024. Desse modo, observou-se que a prematuridade (64,28%) e distúrbios respiratórios (37%) foram os principais motivadores para a indicação do dispositivo. Quanto aos aspectos técnicos, identificou-se equilíbrio entre a inserção em membros superiores e inferiores (40,42% cada), com tempo médio de permanência de 12,5 dias. A taxa de retirada eletiva foi de 42,54%, enquanto as complicações motivaram 21,27% das remoções. Um achado crítico revelou que 27,65% dos prontuários careciam de registos sobre o desfecho da terapia, o que permitiu concluir que, embora o PICC tenha sido um pilar estratégico na UTIN, sua segurança plena foi limitada pela fragilidade na documentação assistencial. O estudo evidenciou que a excelência técnica da inserção deve ser acompanhada por uma mudança na cultura de registo e implementação de checklists de manutenção, visando garantir a rastreabilidade dos desfechos e a consolidação de uma assistência baseada em evidências.
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