COOPERATIVISMO DE CRÉDITO NO BRASIL: TENSÕES INSTITUCIONAIS ENTRE MUTUALIDADE, GOVERNANÇA E PRESSÕES DE MERCADO
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n4-064Palavras-chave:
Desenvolvimento Regional, Governança Cooperativa, Instituições Financeiras, Sistema FinanceiroResumo
O presente estudo analisa a trajetória do cooperativismo de crédito no Brasil, com foco nas tensões entre mutualidade, governança e pressões de mercado que moldam sua evolução contemporânea. A pesquisa adota abordagem qualitativa, combinando revisão narrativa analítico-descritiva com análise documental de relatórios institucionais e literatura especializada. Os dados permitem observar que o setor cresceu 86% no número de cooperados entre 2019 e 2024, com ativos totais superando R$ 885 bilhões e presença em 58% dos municípios brasileiros, consolidando-se como alternativa ao sistema bancário tradicional. A análise identifica três eixos críticos: (i) mutualidade vs. eficiência, com destaque para a governança democrática e a distribuição de sobras; (ii) pressões regulatórias e de mercado, que impõem desafios à identidade cooperativista; e (iii) impacto socioeconômico, especialmente em regiões com baixa capilaridade bancária. A discussão incorpora fontes recentes para problematizar a sustentabilidade do modelo frente à profissionalização da gestão e à crescente complexidade operacional. Os resultados demonstram que, embora o cooperativismo de crédito apresente vantagens competitivas concretas, seu crescimento acelerado exige equilíbrio entre eficiência e preservação de princípios. A pesquisa conclui que a estabilidade institucional do setor depende da capacidade de expandir escala sem descaracterizar a mutualidade, propondo agenda para estudos futuros sobre boas práticas de governança em grandes cooperativas.
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