A LIBRAS COMO PRIMEIRA LÍNGUA PARA A APRENDIZAGEM DE CRIANÇAS SURDAS
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n4-127Palavras-chave:
Libras, Aquisição de Linguagem, Educação Bilíngue, Criança SurdaResumo
O artigo reflete a centralidade da Língua Brasileira de Sinais (Libras) como primeira língua (L1) e pilar fundamental para o desenvolvimento cognitivo e a aprendizagem da criança surda. Fundamentado em uma perspectiva socioantropológica e bilíngue, o trabalho discute a distinção entre língua e linguagem, utilizando as matrizes teóricas de Saussure, Chomsky, Skinner, Krashen e as vertentes interacionistas de Piaget e Vygotsky. Demonstra-se que a Libras, enquanto sistema linguístico autônomo de modalidade visual-espacial, possui equivalência funcional às línguas orais, sendo capaz de ativar o dispositivo biológico de aquisição da linguagem e organizar as funções psicológicas superiores. A investigação destaca que o acesso precoce à Libras é imperativo para evitar o deprivamento linguístico e garantir a constituição da subjetividade e identidade do sujeito. Além disso, discute-se a assimetria na apropriação do Português escrito, evidenciando que, para o aluno surdo, esta configura-se como uma segunda língua (L2), exigindo estratégias de ensino diferenciadas. Conclui-se que a legitimação científica dos cinco parâmetros da Libras (Configuração de Mão, Ponto de Articulação, Movimento, Orientação e Expressões Não Manuais) ratifica seu status de língua de pleno direito. Assim, a institucionalização de uma pedagogia bilíngue bimodal não é apenas uma escolha metodológica, mas o cumprimento de um direito humano fundamental que assegura justiça social, autonomia e o acesso pleno ao conhecimento e à cidadania por parte do estudante surdo.
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