GHOSTWORKING E PRECARIZAÇÃO LABORAL: TRABALHO INVISÍVEL NA ERA DA AUTOMAÇÃO
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n3-066Palavras-chave:
Automação, Capitalismo de Plataformas, Ghostworking, Precarização Laboral, Regulação do TrabalhoResumo
O artigo investiga em que medida o ghostworking constitui uma forma contemporânea de precarização laboral no capitalismo de plataformas, examinando suas características, impactos e desafios regulatórios. Adota-se uma abordagem qualitativa e descritivo-analítica, baseada em revisão bibliográfica e documental, com análise por categorização temática. Os resultados indicam que a invisibilidade opera como estratégia de negócio ao fragmentar tarefas e ocultar a dependência humana que sustenta sistemas de inteligência artificial. Observam-se condições marcadas por pagamento por tarefa, instabilidade e transferência de custos e riscos ao trabalhador, além de controle por métricas e sanções indiretas. Identificam-se também efeitos psicossociais associados à disponibilidade prolongada, vigilância de desempenho e desgaste emocional, especialmente em tarefas sensíveis. No plano global, o estudo evidencia assimetrias Norte–Sul, com concentração de valor nas empresas e deslocamento do trabalho de base para o Sul Global. Conclui-se que o ghostworking atualiza a precarização ao combinar apagamento social, dependência econômica e subordinação técnica, apontando a necessidade de transparência, responsabilização e proteção social no trabalho mediado por plataformas.
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