DO ROMANTISMO AO REALISMO: UMA PERSPECTIVA CRÍTICA SOBRE A DUALIDADE PRESENTE NA OBRA RESSURREIÇÃO, DE LIEV TOLSTÓI

Autores

  • Carolina Izabela Dutra de Miranda

DOI:

https://doi.org/10.56238/revgeov17n3-063

Palavras-chave:

Liev Tolstói, Arte, Narrativas Ficcionais

Resumo

De acordo com o autor Russo Liev Tolstói, após o Renascimento a arte afastou-se do povo e passou a atender aos gostos da elite. Ele define arte como expressão sincera de sentimentos capazes de contagiar o público. Tolstói defende uma arte simples, acessível e socialmente significativa. Abrams, por sua vez, revisa teorias estéticas e destaca quatro elementos: artista, obra, universo e público. Ele retoma a tradição mimética, entendendo a arte como imitação do universo desde Platão e Aristóteles. A teoria expressiva, segundo Abrams, vê a arte como exteriorização dos sentimentos do artista. Ambos relacionam arte com sinceridade e verdade, considerando o impacto sobre o público. Abrams também menciona o uso de elementos biográficos nas obras, como nos estudos sobre Shakespeare. Dessa forma, o objetivo desse trabalho é discutir os conceitos de arte em Tolstói e M. H. Abrams, ressaltando semelhanças e diferenças entre ambos. Visto que, Tolstói concorda com Abrams quanto à sinceridade, mas critica o Renascimento e o Romantismo por valorizarem o belo vazio. Para ele, essas artes de elite produzem simulacros, não sentimentos verdadeiros. O romance Ressurreição exemplifica suas ideias e mistura traços românticos e realistas. Na obra, Nekhliúdov busca reparar a injustiça cometida contra Maslova, ligada ao passado dos dois. O romance tem forte dimensão social e ajudou financeiramente os Dukhobors perseguidos. Portanto, conclui-se que Tolstói e Abrams valorizam arte como comunicação de sentimentos, mas divergem quanto ao papel dos movimentos estéticos e do belo.

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Referências

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Publicado

2026-03-10

Como Citar

de Miranda, C. I. D. (2026). DO ROMANTISMO AO REALISMO: UMA PERSPECTIVA CRÍTICA SOBRE A DUALIDADE PRESENTE NA OBRA RESSURREIÇÃO, DE LIEV TOLSTÓI. Revista De Geopolítica, 17(3), e1797. https://doi.org/10.56238/revgeov17n3-063